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Vida de Freelancer: 6 mitos da profissão que devem ser quebrados

Imagino que qualquer profissão tem suas lendas, né? Com o passar dos anos que venho trabalhando metade do meu dia como autônoma, não fico mais surpresa em escutar alguns mitos sobre meu trabalho, ainda mais por ser uma profissão irregular. Trabalhar em casa, sair "quando quer", ter o horário que "quer"? Quem não acha isso uma mamata, não é mesmo? Vem comigo e entenda um pouquinho mais sobre a verdadeira realidade de um freelancer.

Mitos da profissão freelancer que devem ser quebrados - MadlyLuv.com
Foto via Kaboom Pics

1) Qualquer pessoa pode ser freelancer?

Qualquer pessoa pode ser, mas não significa que é a melhor opção pra todas. Ser freelancer é uma decisão. Requer disciplina, saber seus limites e separar o pessoal do profissional. É muito tentador ficar até tarde da noite trabalhando (afinal, tempo é dinheiro), enquanto poderia estar lendo um bom livro, brincar com seu dog, estar com a família, vendo Netflix ou, melhor, estar dormindo. É por isso que organização é fundamental para separar a hora de trabalhar e a hora do descanso e lazer.

Algumas pessoas gostam e se sentem melhor um ambiente de trabalho de uma instituição, com as diretrizes já definidas, com uma gerência e todos os benefícios de uma CLT. Funcionário não precisa pode levar trabalho para casa — ao contrário do freelancer, onde a maioria das vezes o trabalho já está em casa.

Ter horários mais flexíveis do que trabalhar numa firma das 8h às 18h é incrível, mas sua vida vira de cabeça para baixo se você não se organizar no relógio. Há pessoas que não gostam ou não se adequam a esse estilo de vida, e está tudo bem.

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2) É desvalorizado

Um profissional freelancer não tem condições de cobrar o que uma agência com toda uma equipe estruturada cobra. A tendência das agências é atender empresas grandes, com projetos que levam muitas etapas de execução, várias pessoas envolvidas e milhares de reais injetados. Há despesas do imóvel, impostos, taxas e pagamento de salários. Isso naturalmente encare o serviço de uma empresa ao comparar com um freelancer que precisa de muito menos para trabalhar. Por não ter a mesma estrutura, é normal o serviço do freelancer ser mais barato, mais específico ou mais simples. É uma questão de proporção, não de desvalorização.

Por outro lado, a cada dia que passa mais empresas estão terceirizando serviços com freelancers para agilizar projetos e baratear custos. O profissional freelancer tem o poder de determinar o seu valor e a empresa que está interessada pelo serviço vai pagar (e muitas vezes sem pechinchar se a pessoa for realmente boa no que faz). É vantagem para os dois lados, não há necessidade de contratar funcionário por carteira assinada, já cortando vários impostos e custos, e o freelancer é bem pago pelo o que pode oferecer de melhor. Simples assim. 💖

Você só desvaloriza o seu trabalho a partir do momento em que o subestima, seja pela ignorância — muitas vezes associada à falta de formação acadêmica — fazendo "de graça" ou por um preço ínfimo só porque gosta, ou porque acredita que "não é bom o suficiente", não dando o valor à sua preciosa mão de obra.

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3) É sinônimo de desemprego e / ou trabalha quando quer

Esse é um dos mitos mais difundidos! Falar que "freelancer trabalha quando quer" ou é "por falta de emprego no mercado" é papo de quem não conhece as complexidades da profissão (ou acha que os boletos se pagam sozinhos, rs). Trabalhar em casa e ter flexibilidade de horário na realidade de um freelancer não significa que ele trabalha quando quer, mas sim que ele tem a liberdade de definir sua jornada de trabalho e parar quando for necessário sem precisar prestar contas a um superior. A única satisfação que o freelancer deve prestar é com ele mesmo (e às vezes com o cliente).

Se trabalho fosse sinônimo de
tranquilidade seria chamado de férias

Ser freelancer é uma opção, e não a falta dela. Com o aumento da demanda de prestação de serviços que podem ser prestados remotamente, é cada vez mais comum profissionais deixarem de ser funcionários e passarem a ser autônomos, ou mantém as duas jornadas de trabalho para aumentar a renda.

4) Não há garantias de trabalho

Confesso que eu tinha esse papo até pouco tempo atrás, pois eu também tinha muito medo da "vida instável" de um freelancer. Tanto é que entrei num emprego de meio período com medo de ficar de mãos abanando. Sou a favor desta estratégia, principalmente para quem está começando. Mas quando perceber que está conseguindo trabalhos com mais frequência, um bom planejamento financeiro é capaz de cobrir temporadas menos cheias. Tenho colegas da área e de faculdade que já vivem como freelancers em tempo integral. É possível viver só de freela, assim como também é possível viver de carteira assinada e ser freelancer, se isso te beneficia de alguma forma ou te traz mais segurança.

No campo do marketing digital e com a internet dominando o mercado, o que mais vejo é gente precisando de alguém que preste serviços, seja para a parte de design ou de desenvolvimento. E se for um freelancer full stack (que faz tanto design quanto programação), é mais requisitado ainda.

Entenda que todo começo é difícil. É preciso ter muita energia e disposição para buscar clientes, se divulgar e trabalhar numa apresentação (aka portfólio). Leva algum tempo até você ter seu networking bem consolidado para os clientes começarem a chegar naturalmente ou ser achado nas redes. Para alguns demora mais, para outros menos. Mas a época de ter sempre trabalho em mãos vai chegar.

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Há diversos sites onde o freelancer pode se cadastrar para começar a ser encontrado e achar jobs como o 99freelas, 99designs, Freelancer.com, GetNinjas, Workana, Behance, Linkedin e dentre outros. Inclusive, para quem é estudante, é comum a própria instituição de ensino oferecer oportunidades de trabalho! No curso de Design Gráfico da UFG (onde me formei), por exemplo, tem uma agência júnior de design formada pelos próprios alunos do curso, oferecendo diversos serviços para a universidade de forma geral e para a comunidade. 🥰

O céu é o limite

Graças à internet, não há fronteiras para o freelancer! Podemos atender pessoas com poder de aquisitivo de grande metrópole, outros estados, competir com outros profissionais de diversas localidades e outros países. Enquanto vivo no meio do cerradão goiano, a maioria dos meus clientes vem da região sudeste e já atendi pessoas de Londres, Austrália, Itália, Suiça e Japão! 🌏😍

5) Sem chefe, sem stress

Queria ter este lema na minha vida, mas a realidade é muito diferente. Ao mesmo tempo que é maravilhoso um chefe não estando no seu cangote e te pressionando, você tem um cliente do outro lado da tela do computador te cobrando, um outro te chamando no telefone enquanto você está com projeto em mãos que precisava ser entregue para ontem. Confesso que não vejo muita diferença no nível de stress, só muda as circunstâncias.

Desde quando comecei a trabalhar com contrato tenho tido poucos problemas com clientes, pois é pautado tudo que será feito e especificadas todas as fases de produção antes começar. Acho que uma boa comunicação com cliente, com clareza e honestidade evita 80% do stress.

Achou que era só entregar o job e tava tudo certo?

Como já dizia o grande Rogerinho…

Seria lindo lidar só com a produção de forma nua e crua, né? Mas também é necessário lidar com a pós produção. Que garantia você vai dar para o seu cliente? Você é capaz de dar manutenção para este tipo de trabalho? Se ele entrar em apuros, você é capaz de auxilia-lo? Que tipo de benefício ou método que você pode oferecer para manter seu cliente sempre por perto? Terminar um trabalho é ótimo e revigorante, mas manter clientes fiéis e satisfeitos é melhor ainda, e isso exige muita energia.

Além de tudo isso que você precisa lidar, também tem o trabalho de manter a própria imagem como profissional na internet, divulgação dos trabalhos, dos meios de comunicação como redes sociais e atendimento ao cliente. Há momentos em que sinto que preciso me partir ao meio pra conseguir lidar com tudo, haha. E quando me sinto assim, adivinhe: eu também terceirizo o meu trabalho! O Victor, meu namorado, me ajuda em alguns freelas, fazendo toda parte do front-end (seria o HTML / CSS), enquanto fico com concepção de layout e programação WordPress. E assim, dividimos lucros e atendemos mais clientes.

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6) Ganha menos do que carteira assinada

Isso depende. Depende do seu tipo de público, da qualificação de sua mão de obra, do tipo de serviço que você presta e principalmente, da realidade da cidade de onde você mora. Acho difícil mensurar estas coisas em números, pois o mesmo serviço pode variar de preço entre os profissionais, mas é completamente possível um freelancer ganhar mais como autônomo do que por carteira assinada, considerando o salário médio do designer (ou web designer) no país.

Grandes metrópoles ou cidades com um alto desenvolvimento industrial com grande oferta e procura de mão de obra qualificada têm a tendência de pagar mais na carteira de trabalho (mas não significa que é regra) e possuem um critério mais rigoroso, além do custo de vida elevado da região. Portanto, você precisa colocar na balança o que é melhor para a sua realidade e tipo de mercado que queira se inserir.

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Comentários

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  • Gisele Q.

    Nossa concordo perfeitamente com todos os pontos colocados. Também sou freelancer e empreendedora e digo, é muito mais difícil que trabalhar assalariada. É complicado!

  • Maike

    Ei, Ana, tudo bem?
    Post incrível, parabéns 🙂

    Há um tempo você comentou que comprou seu macbook usado e deu dicas e etc. Hoje eu estou pensando em investir em um macbook pra me ajudar nas tarefas, porque estou pensando em ser um fulltime freelancer, e pra isso eu precisava de uma máquina boa pra trabalhar com os apps adobe e pra programar.

    Você acha que um de 2012 ainda sustenta bem? Como não tenho experiência com macbooks então não sei bem a durabilidade deles.

    Se puder me ajudar.

    Obrigado, abraços

    • Aninha

      Oi Maike! Eu acho que um macbook de 2012 já não compensa muito quando se leva em consideração o preço que estamos vendo por ai, visto que tem muitas chances de precisar uma manutenção ou um upgrade em breve. Fiz uma pesquisa beeem acirrada no final do ano passado para ajudar uma amiga e acabamos vendo que o melhor era comprar um modelo 2017 pelo mercado livre (claro, com um vendedor bem avaliado), que girava em torno de 7mil, enquanto os modelos 2012 fica na média de 3.500 a 4mil. Ok que era a metade do preço, mas por ter tanto tempo de uso, achamos caro. Eu particularmente não acho um modelo de 2012 mais tão vantajoso pois é comum vermos os macs desta época com mais de mil ciclos de bateria, onde é comum ter o rendimento durando metade do que deveria ter. Não demoraria muito até você precisar trocar a bateria ou ficar à mercê da alimentação. O meu que é de 2013 já não dura nem 5h de tanto que já usei ele, hahaha. Se eu não me engano, modelos de 2012 ainda tem disco HD, o que possui velocidade mais baixa e esquentam mais do que um SDD. Considerando os investimentos de bateria e a troca de HD por SSD (ou até mesmo upgrade de memória), você gastaria facilmente uns 2mil pra manter seu macbook pleno à todo vapor por mais alguns anos, sabe? Chegaria num momento que nem compensaria o investimento. =/ Eu recomendaria ver modelos de 2015 para mais recentes.

      Espero ter ajudado!

  • Gabriela

    Amei o post! No meu caso, eu tô tendo bastante dificuldades de conseguir um freela! Já me inscrevi no Workanda, 99, mas não consigo nada 🙁 é bem desestimulante, mas sigo na luta!

    Beijos

  • Aline

    Que post completinho, Ana!!
    Eu nunca pensei em ser freelancer, mas tenho considerado a possibilidade de tirar uma parte do meu tempo livre pra produzir uns bordados e montar uma lojinha… Então boa parte do que vc falou acabou servindo pra mim também.

    Vou ler os outros posts sobre o assunto também. Sei que minha maior dificuldade é a organização, por isso antes de mexer com essas coisas pretendo encontrar meu jeito pra ter uma vida minimamente organizada rs

    Adorei o post, sério!
    Gratidão.

    Um beijo.
    Li.

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