Madly Luv - O mLuv é um blog pessoal no qual aborda vários assuntos como design, músicas, literatura, arte, televisão etc. Desenvolvido e mantido por Ana Flávia Cador.

Vida de freelancer: Emprego + Freelas, Honestidade e Autovalorização

Coisas de designer

Muitos dos leitores do blog são apaixonados por design. Assim como eu, começaram a pegar o gostinho da coisa quando se ingressou à blogosfera e passou a pesquisar mais sobre este mundo maravilhoso de bonitezas e projetos. Sei também que uma parte considerável destes leitores procuram seguir carreira na área ou já começaram a trabalhar. E, por eu sempre comentar sobre o meu sonho de ser designer desde o começo do blog, para lá de 2007, muitas pessoas vêm me perguntando a respeito do meu trabalho, do meu dia-a-dia de freelancer, como é minha forma de trabalhar etc. Além da tag #DGFAQ (na qual tiro dúvidas sobre o curso de design no aspecto geral), venho agora trazendo a tag #VidaDeFreelancer mostrando um catiquinho sobre como é a minha vida profissional.

Imagem: PicJumbo

Neste post falarei um pouquinho sobre como assimilo meu emprego com os meus freelas, e também comentar sobre a honestidade e autovalorização como um profissional em potencial. Vamos lá?

Pensar além, mas ter um pé no chão

Nunca se sabe o dia de amanhã. Isso é um fato, ainda mais quando o trabalho é autônomo. Enquanto não há um networking bem estabelecido, um público considerável e a freqüência de projetos ainda não ser mais do que suficiente para você manter sua micro-empresa (e investir nela), você precisa de ter uma alternativa de renda, de preferência que seja fixa. Ou seja: um emprego!

Em setembro do ano passado fui chamada para trabalhar em um órgão da UFG destinado à educação a distância. Tive muito medo de sair do meu antigo estágio, pois eu fazia muitos projetos para websites institucionais, e no novo emprego eu sabia que não iria fazer muitos projetos deste tipo — apesar da vaga oferecida ser para web designer. Mas eu gostava de pensar que seriam novos horizontes e novas coisas para aprender. E foi o que aconteceu, e neste quesito não me arrependi nem um pouco!

Por outro lado, eu sabia que, se eu fosse contratada por aquela empresa privada depois de formada, minha jornada de trabalho seria das 8h às 18h30. Enquanto isso, na nova proposta de emprego, minha jornada de trabalho não poderia passar de 6h depois de minha formação. O salário de estagio era menor, mas o que custa alguns meses de pouco money se no ano que viria eu poderia ganhar a mesma coisa na outra empresa quando fosse contratada? O que custa poucos meses no aperto se no ano que viria eu poderia ter a chance de investir muito mais tempo em minha carreira de freelancer e retornar tudo o que eu "perdi"? Se eu não tivesse sido chamada pela UFG, provavelmente eu nem estaria fazendo meus projetos.

Agradeço muito a Deus — e ao meu orientador de TCC que acabou se tornando o meu chefe — por ter tido essa oportunidade. Se você tiver a chance de trabalhar meio período, agarre-a com unhas e dentes!

Estipular horários consolidados e dias úteis de trabalho

Já fui uma workaholic no meu tempo de faculdade e sei o quanto isso acabou com minha saúde. Eu estagiava de manhã, ia para a faculdade à tarde e fazia freelas e projetos da facul de noite. Sabe-se lá quando eu ia dormir! Sinceramente, isso não é vida! Eu emagreci muito e fiquei extremamente estressada. E foi assim que decidi no meu 3º ano de faculdade que eu não pegaria mais nenhum freela até quando eu me formasse. A parte ruim é que perdi muitos clientes pois recusava muitos projetos, mas eu não podia me sobrecarregar. Eu já conheci o resultado catastrófico e não queria passar de novo.

Onde trabalho cada um planeja os seus horários. Então eu escolho trabalhar no período da manhã. Acordo bem cedinho e chego lá mais ou menos umas 7h para sair às 13h. A viagem de ônibus é cerca de 15-20min, então quando chego em casa dá tempo de almoçar e já às 14h pego novamente no batente em meu home office. A partir deste horário trabalho até as 18h.

Honestidade nos prazos e na quantidade de demanda

Ninguém merece trabalhar depois das 18h e muito menos em final de semana. Antes de mais nada é necessário pensar no seu bem estar. Bem estar é sinônimo de criatividade. E planejando os horários de trabalho certinho, você consegue estipular prazo e quantos projetos ao mesmo tempo você consegue suportar em seu horário. Para isso você precisa se conhecer muito bem e, pelo amor de Deus, não minta para o cliente prometendo um prazo maravilhoso se você não consegue cumpri-lo.

Com o meu tempo de trabalho eu sei que posso ter cerca de 3 a 4 projetos por mês e cumprir todos os seus prazos com calma. Parece pouco? Talvez, mas eu prefiro priorizar na qualidade do que quantidade — até porque ninguém merece ficar sobrecarregado e ter que apelar para trabalhar horário extra e em finais de semana. Você também tem uma vida e ninguém aqui é robô. E a quantidade de trabalhos que tenho por mês consegue pagar todas as minhas contas e ainda sobra com a ajuda do salário.

Honestidade no orçamento

Vira e mexe eu comento na desvalorização do design na blogosfera vendo preços tão, mas tão baixos, que chegam a ser de graça. Já fiz um post sobre isso aqui no blog e fiquei feliz na enorme repercussão que ele teve! Mais de 250 compartilhamentos e muitas dúvidas sanadas por ali. E, então, só irei reforçar: não tenha medo de cobrar um preço honesto pelo seu trabalho árduo. Não interessa se você é formado ou não.


Vamos nos valorizar?

É costume acreditar que só pelo fato de não ser formado na área, não se achar no direito cobrar um valor justo. Isso é BA-LE-LA. A partir do momento que você faz um trabalho com qualidade, você já é um profissional competente para cobrar o que deve. E quando se é formado na área, tem o direito de aumentar o seu preço devido aos seus anos de estudo, claro. Entretanto, nada justifica o baixo custo que vemos por ai. E isso, infelizmente, causa uma péssima imagem da profissão, dando a entender que qualquer pessoa pode fazer e se julgar como "designer". Antes de mais nada, é o seu nome, sua profissão (no contexto geral, inclusive) e sua imagem em jogo. Não faça orçamento menor ou igual ao valor da sua blusa preferida. Um projeto de design não é uma peça de roupa de 50 reais.

Não há nada de mais lindo um cliente chegar e dizer a você sobre o seu trabalho, acreditar em seu potencial e aceitar os seus valores. Isso é o que há de maior realização profissional, e isso te motiva a sempre dar o melhor de si. Te motiva a se organizar melhor, a trabalhar com maior comprometimento e te levar além. Então, vamos nos valorizar? ;D

Veja também...

Vida de Freelancer: Quando o design não é o suficiente
Vida de Freelancer: 6 atitudes que mudaram a minha vida profissional
Vida de Freelancer: Como ter um portfólio perfeito
¬¬ zZz x_x o_O ^^ T_T ;D :x :S :P ::teary:: ::sweat:: ::stress:: ::rolleyes:: ::love:: ::cool:: ::blush:: ::attention:: ::angry:: :) :( ._. *o* *O_O


58 Comentário(s)

(58 pelo blog e pelo facebook)
  • Cami
    Visitar blog
    26 . 08 . 2014

    Eu estou estudando Design e trabalhando com Design e concordo com tudo que você falou!
    De todos os itens, com certeza a auto valorização é o mais importante. Esses dias queriam pagar 200 reais para eu fazer toda a identidade visual corporativa de uma empresa, desde logo, papelaria, aplicações, até manual de marca. Com isso minha hora de trabalho vale menos de R$0,20 (!). Não vale a pena.
    Quem pagar mais tem um serviço de melhor qualidade mesmo, tem que deixar essa galera que faz tudo a preço de banana continuar fazendo nesses preços, enquanto nós trabalhamos com design propriamente dito :)

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    • Aninha
      Visitar blog
      12 . 09 . 2014

      @Cami, caraca… 20 centavos por hora? Isso é trabalho escravo, literalmente! Mas eu não acho legal deixar o pessoal fazer tudo por preço de banana enquanto estamos fazendo o design propriamente dito. Talvez a pessoa que está cobrando pouco também está fazendo design, mas é ignorante na informação correta sobre o valor de seu serviço. Digo isso pois já fui uma destas pessoas e sei. Já vi trabalhos realmente ótimos, e reconheci conceitos de design ali, e não passaram de 100-200 reais. É falta de informação mesmo que acontece por ai Cami, e os que tem a informação, subestimam o seu trabalho e não se acham no direito de cobrar o justo para si por ainda não ser um portador de diploma. E esta falta de visão acarreta na profissão como um todo. O medo do "não ter um diploma" de design é muito grande e influencia muito — o que não deveria. Há ótimos profissionais por ai sem ter o diploma de design gráfico. O coordenador de onde trabalho é um ótimo profissional em design, mas ele é formado em Letras, acredita? Kkkkkkkkk! E ele sabe muito mais do que muito designer formado por ai xD
      Beijocas!

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  • Giovanna Michelato
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    26 . 08 . 2014

    Ana <3 Amei o post, viu?! Sempre passo por aqui mas nunca comento. Mas vc tá de parabéns, haha.

    Beijos :*

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  • Priscila Regis
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    26 . 08 . 2014

    Perfeito post! Meio que vivi a mesma situação e hoje estou aprendendo, tanto a valorizar o que faço quanto a minha vida pessoal.

    Beijos

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  • Vanessa
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    26 . 08 . 2014

    Post excelente!
    Adorei também você ter finalizado com a questão da valorização. Muitos não percebem que ao cobrar pouco, acabam atrapalhando os parceiros de profissão. Não é jogar o preço lá no alto, é simplesmente ser justo.

    Beijinhos!

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    • Aninha
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      12 . 09 . 2014

      Sim @Vanessa! É, de fato, ser justo. O pessoal precisa ter um pouco mais de visão sobre isso, por isso, nunca deixo de falar o quanto isso é importante. Se a gente não se valorizar, quem irá, né?
      Beijocas!

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  • Clay
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    26 . 08 . 2014

    Adorei a publicação, me tirou MUITAS dúvidas sobre esse mundo doido que vcs vivem hahahahaha sempre tive medo de arriscar e fico perdida =/

    Beijos

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    • Aninha
      Visitar blog
      12 . 09 . 2014

      @Clay, não precisa ter medo! Arrisque-se! Da mesma forma como tudo pode dar certo também pode não dar. Então acho que sempre vale a pena arriscar e pensar positivo. ;)
      Beijocas!

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