Relatório de viagem: Conclusões sobre a vida, o universo e tudo mais

Passeios e Viagens

Pois é, meu bem, a vida muda depois de uma mega viagem, não importe o quanto ela dure, desde que seja uma viagem impactante. Uma cultura nova, pessoas desconhecidas, clima diferente, uma língua diferente da sua nativa. Tudo isso impacta de uma forma ou de outra na nossa vida de um jeito muito singular. E eu posso dizer que me sinto muito diferente depois de voltar do Reino Unido. E assim que cheguei, tirei várias conclusões sobre a vida das quais não saberia (tão cedo) se não tivesse feito uma viagem internacional.

Folha de Plátano - madlyluv.com

Folha de Plátano, árvore muito comum em Londres. Foto tirada no Hyde Park, pela Neli.

Viajar é um desgaste duplo

Viajar é algo maravilhoso e estonteante, mas por outro isso te consome de uma forma muito absurda. Não é só um desgaste físico por não querer parar um segundo (afinal, ficar em casa para quê quando se tem uma Londres a desbravar?), mas estar em um lugar diferente com intempéries diferentes do seu dia-a-dia (que inclui até mesmo pressão atmosférica) conta muito para o desgaste físico pela falta de costume. Mas como se tudo isso não bastasse, uma viagem internacional é também um desgaste emocional, e isso ninguém te conta.

Passei a conhecer melhor os meus limites

Ninguém te conta que durante a viagem, principalmente nos últimos dias, há uma luta interna constante para o cansaço não vencer e te fazer uma pessoa mal-humorada, a "chata" da viagem (principalmente se não está viajando sozinha) — porque sim, vai ter cansaço, vai ter seu corpo exausto pedindo por socorro, ainda mais se os passeios são majoritariamente a pé. Contabilizamos que andamos cerca de 12 a 15km por dia e, para uma pessoa sedentária que nem eu ou Laryssa, andar isso tudo TODOS OS DIAS é algo que nunca pensei que seria fisicamente possível. E devido ao cansaço e as dores lancinantes nas pernas, tivemos que lutar com todas as nossas forças, atingindo níveis de paciência que nunca pensávamos que teríamos para evitar alguma desavença, nos manter racionais para simplesmente as coisas não desandarem — e sei muito bem que não foi só eu quem lutou por isso. Que Deus abençoe a todos os envolvidos na fabricação do relaxante muscular. E eu preciso fazer algum exercício urgentemente para ficar mais sussa na próxima viagem.

Sei me virar bem mais do que imaginava

Londres foi um divisor de águas para mim. Pra quem tinha medo de pegar um ônibus diferente em sua própria cidade, taí uma chacoalhada do caramba que levei: tivemos que nos virar — e em um país diferente ainda! Houve 2 dias (do total de 6) que foi preciso uma certa coragem de sair de casa para encarar as ruas de um país desconhecido, com costumes diferentes e sem uma pessoa conhecida para nos guiar do lado. Foi Citymapper na veia, telefones salvos para alguma emergência e vâmo-que-vâmo. Batemos pernas em museus, atrações, shopping e tudo através de muito, muito metrô. Rodamos Londres sozinhas e nem preciso dizer que me bateu aquele orgulhinho, porque a antiga Aninha aqui se cagaria de medo.

O meu país é o meu lar

Pode parecer besteira, ainda mais porque eu viajei para um lugar super incrível, mas nas duas vezes que me perguntaram se eu moraria em Londres eu falei um não de boca cheia que até assustou a quem perguntou. Por que? Eu sei, o mundo dá voltas e amanhã posso estar pagando a minha língua, mas por enquanto eu tenho plena convicção de que nenhum lugar é melhor do que meu Brasil. Eu teria muita dor no coração em deixar o meu país, por mais fascinante que fosse um outro país, ainda mais um que já provei o gostinho, como a Inglaterra — que, inclusive, já estou com saudades (beijo, Neli!). ::love::

Enquanto Inglaterra é um país milenar e com séculos a fio de desenvolvimento (só o metrô tem mais de 150 anos de história!), o Brasil ainda está engatinhando. Inclusive, é uma comparação muito injusta, mas enquanto eu estava lá eu não podia deixar de fazer infinitas comparações entre lá e aqui. Desde a mão da rua, a eficiência do transporte público, a segurança ao andar na rua e até mesmo a personalidade das pessoas (nunca vi tanta gente educada por metro quadrado). É tudo fascinante de tal forma que abafa a saudadinha que sentimos de casa quando se é uma viagem relativamente pequena, como foi a nossa. Entretanto, quando eu pisei no meu Brasil novamente, nunca me senti tão em casa. Quando estava em escala em São Paulo prestes a embarcar para Brasília, a saudades bateu com força total, com seu acúmulo de uma semana. Saudades da família, namorado, amigos, das minhas cachorrinhas, da minha casa que ainda está no chão batido, da comida da minha mãe e da minha sogra, da água gostosa de filtro de barro, do meu trabalho. Senti saudades de falar a minha língua nativa, de ver a minha Goiânia. Me deu até vontade de conhecer mais o meu Goiás, o meu Brasil, acredita? Pude notar o quanto tudo isso me faria falta se eu morasse fora. O meu país é o meu lar, mesmo com todos os seus defeitos.

Viajar não é coisa de gente rica

Viajar para outro país está longe, muito longe de ser coisa de gente rica. Gente, como assim? Já ouvi muitos falarem para mim "Nossa, como eu queria ir também, mas não tenho dinheiro!", e tá na mesma situação que eu: uma pessoa que não ganha bem, mas que também não ganha mal por estar na categoria de pessoa solteira, sem filhos e que ainda não divide (ou arca com todas) despesas de uma casa. A vida é feita de prioridades, e aproveitando que ainda não tenho ainda essa grandes coisas da vida das quais meu dinheiro deve ser canalizado, a minha prioridade foi realizar o meu sonho e lutei para isso. Isso não faz de mim uma pessoa rica, só uma pessoa que lutou pelo que quis. Não vou dizer que foi algo fácil, mas ó… não é um bicho de sete cabeças, viu?

Precisei abdicar de várias coisas que eram comuns no meu dia-a-dia. Para pagar essa viagem precisei sacrificar muitos dos meus lazeres e pequenos desejos, como a decoração do meu quarto, por exemplo, assim como precisei parar com os almocinhos no shopping, e de comprinhas na Forever21 que eu amava fazer (saudades brusinhas). Ou seja: abdiquei de futilidades e passei apenas gastar o necessário. Passei a parcelar coisas que eu realmente precisava comprar e, literalmente, cheguei almoçar miojo porque eu não queria gastar com almoço, haha. Cada 10 conto fazia a diferença para mim, e o máximo que podia eu canalizava para a viagem. Foram sacrifícios que qualquer pessoa na minha situação pode (e deve) fazer. Não é nada fora da casinha. Mas no final das contas, era bem assim: todos viam a viagem que eu fazia, mas ninguém via ~os miojo~ que comia — e sem fundamento algum já vinham falando que sou rica. Nem tenho nem infra-estrutura para pagar de ryca e "quarto de brogueira" nas fotos que tiro para o blog, haha. De ryca aqui, meu bem, só de saúde, amor e felicidade. Amém? Amém.

Os sonhos passam a ser mais palpáveis

Engano seu se achar que, caso o seu sonho for realizado, você será uma pessoa satisfeita. Ao voltar do Reino Unido percebi o quanto eu tinha poucos sonhos. Hoje eu quero muito mais. Tenho novos sonhos e tenho mais ansiedade para realiza-los. E sabe o que é o melhor disso tudo? Passei acreditar que todos eles são possíveis.

Quando você consegue fazer algo grande da sua lista de desejos da vida, você passa a acreditar mais em si e, por consequência, todos os seus outros sonhos e desejos se tornam mais palpáveis — e crescem ainda mais. ::blush::

Sonhos palpáveis - madlyluv.com

Eu dentro de um ônibus de dois andares londrino e não conseguindo acreditar que tudo aquilo era realidade.

Em breve mais posts com várias fotinhas de Londres pra ti — e espero de outros lugares também, porque sim, agora quero ser aloka das viage, haha. ::cool::

Veja também...

Londres: O charme de Covent Garden
Londres: Passeando pelas ruas da terra da Rainha
10 lugares que pretendo conhecer na Inglaterra

24 Comentários
( pelo facebook)
  • Raíssa Giacomin
    Visitar blog
    06 . 12 . 2016

    Amei tudo isso que você disse. Fui para os Estados Unidos no começo do ano e concordo com -quase- todas essas conclusões que você teve, menos a parte de que eu não moraria lá hahaha. Parabéns pelo blog, um super beijo <3 luzesdefevereiro.blogspot.com

    Responder

  • Stéfhanie
    Visitar blog
    07 . 11 . 2016

    Que post mais legal, Aninha! Adorei as considerações.
    A gente sempre vê as pessoas falando somente das coisas boas de uma viagem e não paramos pra pensar nos perrengues que também fazem parte.

    O tópico "viajar não é coisa de gente rica" é o que eu mais penso nos últimos tempos. Ano que vem farei a viagem dos meus sonhos e não sou rica, não tenho dinheiro sobrando, mas e ai, vou abdicar do meu sonho? CLARO QUE NÃO! Estou juntando centavinho por centavinho, também almoçando miojo ás vezes hahaha porque sei que valerá a pena lá na frente.

    Ler tudo isso me deixou ainda mais empolgada <3

    Um beijo
    http://www.nossorelicario.com

    Responder

  • Jade Amorim
    Visitar blog
    06 . 11 . 2016

    Eu super me identifico com o que você falou, de fato viajar pra longe é uma experiência e tanto, e extremamente cansativa.
    Esse ano eu viajei sozinha pela primeira vez, também foi a primeira vez que viajei de avião, e só de pensar que eu estava num lugar completamente diferente do que eu estava acostumada sem ninguém para me ajudar, dá uma adrenalina, sabe? Um misto de medo, de ansiedade, de orgulho.
    Isso muda a perspectiva da gente, conhecemos, como você falou, nossos limites. E eles são muito maiores do que o esperado. rs

    Amei a postagem, como sempre, aninha!

    Beijos.

    Responder


1345